Contexto global: desastres mais frequentes e mais intensos

A frequência das calamidades tem vindo a aumentar, bem como a sua gravidade.

Após 2004 (com o tsunami no Oceano Índico), 2008 foi o segundo ano mais mortífero da década precedente. Apenas dois desastres foram responsáveis pelo elevado número de vítimas: o ciclone Nargis, na Birmânia, originou 138.366 vítimas mortais (ou desaparecidas, presumivelmente mortas) e o terramoto em Sichuan, na China, resultou em 87.476 vítimas mortais – representando estes dois desastres cerca de 93% do total global de vítimas.

A 12 de Janeiro de 2010, um terramoto de magnitude 7.0 na Escala de Richter abala o Haiti afectando 3 milhões de pessoas. Contam-se 222.570 vítimas mortais, 300.572 feridos, 1 milhão e meio de desalojados, infra-estruturas destruídas e um país que passado mais de um ano, ainda se encontra em recuperação. O terramoto veio aumentar os problemas estruturais já existentes na região, de pobreza extrema e fraco desenvolvimento, e também de acesso limitado aos serviços de educação, saúde e saneamento.

Os desastres ou catástrofes podem surgir a qualquer momento, com diferentes escalas, afectar apenas um local ou uma comunidade ou, mesmo, atingir um país inteiro ou o mundo. O seu impacto é imensurável, deixando as pessoas traumatizadas pela morte de familiares e amigos e com a vida devastada pela perda das suas casas, bens e fontes de rendimento.

Em Portugal, o dia 20 de Fevereiro de 2010 ficou marcado pelo maior temporal dos últimos 100 anos na Ilha da Madeira. O Funchal e a Ribeira Brava foram os concelhos mais assolados pelo temporal, tendo sido registadas perdas humanas e avultados estragos materiais.

A 11 de Março de 2011, um terramoto de magnitude 8.9 na escala de Richter seguido de um tsunami, atinge a zona nordeste do Japão, provocando 11.417 mortos confirmados e 16.273 desaparecidos. Um mês após este desastre, 173.200 pessoas continuavam deslocadas em 2.000 centros de evacuação e 372.000 casas continuavam sem água. A ruptura e consequente desmantelamento da base nuclear em Fukushima, bem como a contaminação da água potável e não potável, levou a uma procura de água engarrafada até à exaustão de stock.

Para o futuro, as previsões anunciam que os desastres vão ser ainda mais frequentes, na medida em que as vulnerabilidades – como a pobreza, densidade populacional nos centros urbanos, desigualdades sociais, falta de educação cívica, guerras... –  têm vindo a aumentar.

Desastres mais prováveis

Factos & Números sobre Desastres

Numa das últimas reuniões anuais do Fórum Económico Mundial foram identificados cerca de 25 riscos globais. O terrorismo e a pandemia de gripe estão no topo da lista. Outros riscos, como os efeitos das alterações climáticas, os acidentes bacteriológicos, químicos e nucleares (como foi o de Chernobyl), a instabilidade no Médio Oriente, entre outros, também representam grande preocupação.

Presentemente, poucas pessoas reflectem sobre estes perigos ou julgam que a probabilidade destes as afectarem é baixa. De um modo geral, a atitude mais comum é a negação da sua existência ou a sua percepção como um perigo local ou isolado que afecta apenas as comunidades mais vulneráveis.

Na realidade, e desde os anos 70 do século XX, as catástrofes acontecem 3 vezes mais do que nos anos precedentes e têm consequências muito mais graves. Se por um lado o número de mortos baixou 70% desde essa data (isto devido à preparação das comunidades para estas situações), por outro, o número de pessoas afectadas triplicou.

E quando as catástrofes ocorrem, os serviços de emergência médica, os bombeiros e a polícia são os primeiros a responder. No entanto, quando o número de pessoas afectadas é grande, os recursos podem não ser suficientes. Nestas circunstâncias, as instituições humanitárias e todos os componentes da Sociedade têm um papel vital.

Quanto mais depressa a ajuda chegar, mais vidas se podem salvar. Os três primeiros dias após as catástrofes são fundamentais para salvar vidas. Mas, para se poder agir de forma rápida e eficiente, há necessidade de nos precavermos e prepararmos para lidar com estas situações que podem acontecer a qualquer momento, quando menos esperamos.

Os países mais desenvolvidos, regra geral, têm uma “cultura” e sistemas de preparação/resposta para a emergência que lhes permitem reduzir significativamente o impacto das catástrofes e, por vezes, até evitá-las.

A acção e os alertas antecipados são um investimento para o futuro que a longo prazo é bastante mais eficaz do que a mera resposta às emergências. O tempo dispendido na planificação da resposta a desastres, equivale ao tempo que se poupa quando o mesmo acontece.

Relatório Mundial de Desastres - publicação da Federação Internacional das Sociedades da CV/CV