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terça, 19 dezembro 2017 15:46

Tributo à Cruz Vermelha, por Pedro Bacelar de Vasconcelos

"A Batalha de Solferino - onde se confrontaram, a 24 de junho de 1859, os exércitos austríacos, franceses e italianos - foi um dos conflitos militares mais sangrentos da história europeia.

A mesma data marca o início de uma empresa aparentemente impossível: a fundação do Direito internacional humanitário. Com efeito, foi esse o momento inspirador da criação do movimento internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Perante o cenário de horror de um campo de batalha juncado de cadáveres e corpos desmembrados, de milhares de soldados feridos, abandonados à morte e ao mais cruel sofrimento, sem ninguém que os socorresse ou amparasse, foi nesse instante que Henry Dunant definitivamente abandonou os seus negócios privados - motivo que, por mero acaso, o tinha levado até àquele local - para se empenhar de alma e coração num empreendimento inédito, extraordinariamente ambicioso: socorrer os soldados feridos em combate, as vítimas da guerra, militares ou civis. Uma missão que se iria alargar a todas as vítimas de quaisquer catástrofes provocadas por mão humana ou resultado de causas naturais.

Em outubro de 1863, Henry Dunant iria promover uma conferência internacional em Genebra para dar corpo à obsessão que depois da experiência do horror que testemunhou no campo de batalha decidiu partilhar no seu livro "Lembrança de Solferino". Esse foi o momento fundador do Comité Internacional da Cruz Vermelha. E, logo no ano seguinte, a 22 de agosto de 1864, por decisão de D. Luís I, Portugal seria um dos 12 países signatários da I Convenção de Genebra, aprovada com vista a melhorar a sorte dos militares feridos dos exércitos em campanha. Em fevereiro de 1865, na sequência dos compromissos assumidos, foi criada em Lisboa a "Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes Militares em Tempo de Guerra" - designação original da Cruz Vermelha Portuguesa.”

Pedro Bacelar de Vasconcelos, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República

(artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias a 14 de Dezembro de 2017)