PayPalMB WAYnr fiscal cvp 55d50 Subscrever Newsletter Doar

Pesquisa Facebook Instagram Twitter Flickr redes youtube

Encontre aqui a Cruz Vermelha mais próxima de si.

terça-feira, 16 junho 2020 10:51

Parecer do Conselho Supremo de 08 de Junho de 2020

A Sociedade de Gestão do HCVP

Estrutura Accionista: 54,97% Cruz Vermelha Portuguesa & 0,03% Pequenos Accionistas           

                                      45 % Parpública          

 

Resultados

Líquidos

Passivo  Global

Endividamento Bancário

2014

0,43M€

27,8 M€

15,0 M€

2015

0,4M€

27,5 M€

17,4 M€

2016

-1,6M€

31,0M€

20,9 M€

2017

0,85M€

33,0 M€

22,7  M€

2018

-0,2M€

34,8 M€

23,4  M€

2019

- 3,8 M€

43,6 M€

28 M€

       

A Sociedade de Gestão do Hospital CVP, nos últimos 6 anos:

 

1.       A soma dos Resultados Líquidos da Sociedade de Gestão do HCVP totalizou perto de 4M€ negativos;

2.       O passivo aumentou perto de 16M€;

3.       O endividamento bancário aumentou 13M€.

 

Atendendo à degradação da situação económico-financeira da Sociedade, acima espelhada e à necessidade urgente de significativa injecção de capital, tem sido amplamente discutida no seio dos órgãos sociais nacionais a estratégia a seguir. Neste quadro, desde o Verão de 2019, colocou-se a oportunidade de venda das acções de que a CVP é titular à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no sentido de ampliar as respostas do Sector Social em Saúde na Grande Lisboa através da continuidade do funcionamento do Hospital.

No entanto, a CVP entende necessário a observação dos seguintes dois princípios na operação:

1.       Não haver impacte negativo nas contas da CVP;

2.       Concretizar a venda a preço justo de forma a reflectir o valor real do activo.

Para tal, quer o comprador quer os accionistas vendedores, acordaram definir o valor real das acções com base em nova avaliação técnica, independente, a decorrer no mês de Junho de 2020.

 

Motivações da CVP para sair da Sociedade de Gestão do HCVP:  

a)      Quebra de produção / concorrência privada muito forte

Nos últimos anos, o Hospital da CVP tem sofrido enormes quebras da produção, decorrente da forte concorrência do mercado privado. Grupos como a CUF, TROFA Saúde, Lusíadas e Luz (FOSUN) têm investido em unidades modernas e com as vantagens decorrentes de gestão consolidada, muito fortes, junto dos clientes privados e com acordos firmados com todas as seguradoras.

b)      Necessidade de investimento por parte da accionista CVP    

O Hospital da CVP, embora considerada uma Unidade de excelência ao nível dos resultados da qualidade da produção, carece, por ser uma estrutura hospitalar antiga, de fortes investimentos para a sua modernização. Ora, o accionista CVP não tem capacidade económico-financeira para tal.

c)       Elevado nível de endividamento do Hospital da CVP

A quebra progressiva da produção, bem como as dívidas acumuladas de alguns clientes, nomeadamente o Estado, têm obrigado ao recurso sistemático ao financiamento bancário e, portanto, ao aumento dos níveis de endividamento e encargos financeiros daí decorrentes, determinando um passivo bancário em 31/12/2019 que ascende a cerca de 28 M€.

d)      Impacte dos resultados do Hospital na CVP nas contas da CVP

1.       Na qualidade de accionista da Sociedade Gestora em 54,97%, vê reflectido os resultados líquidos desta nas suas contas e que no imediato significarão 2,2 M € Negativos (face ao Resultado Líquido de cerca de 4M€ NEGATIVOS apurados no exercício de 2019 do HCVP). No histórico dos últimos 13 anos, a CVP (em que o nível de abrangência da consolidação é de 100% do universo), nunca apresentou resultados negativos;

2.       No relacionamento com os players, nomeadamente com o sector bancário, a apresentação de resultados negativos trará sérias e fortes dificuldades de relacionamento, quer com a manutenção das atuais linhas de financiamento, quer com o aumento para novos investimentos, quer sejam grandes investimentos, quer sejam pequenos investimentos, como a compra de viaturas. Esta consequência é transversal a toda a rede CVP, dado que a análise é feita por NIF (que é o mesmo para todas as estrutura, Delegações, Centros Humanitários e Organismos Autónomos);

3.       Um dos maiores activos imobiliários da CVP não gera, actualmente, qualquer rendimento. Apesar de estar negociada uma renda pela exploração, na maioria dos meses não é paga, por falta de liquidez na tesouraria do Hospital da CVP.

 

O Conselho Supremo

1.       Nota que as dificuldades apresentadas pela Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., não são de agora, havendo uma degradação da sua situação financeira ao longo de vários anos;

2.       Regista que a operação descrita não inclui a alienação do terreno urbano e das suas edificações; 

3.       Não se descortinando soluções internas, considera-se que a viabilização da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., poderá ser encontrada pelo recurso a entidades terceiras;

4.       Não se opõe, como princípio, à alienação do capital social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A.;

5.       Valoriza a alienação do capital social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., ao Sector Social, mantendo as referências históricas da missão do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, considerando-se a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa um importante actor no Sector;

6.       Pretende que o nome Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa seja mantido por quem assuma a participação social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., também pelas referências históricas anteriormente referidas e que são valorizadas;

7.       Aguardará o resultado da avaliação técnica independente e a análise do “Acordo de alienação” a apresentar pela Direcção Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, onde se espera que sejam reflectidas as observações anteriores, para emissão do seu Parecer final;

8.       Nos termos das alíneas g) e i) do artigo 28 dos Estatutos emite Parecer favorável ao prosseguimento das negociações conducentes à operação de alienação das acções correspondentes a 54,97 % da Sociedade de Gestão de que a CVP é titular, tendo em atenção os pressupostos acima enunciados.